A TCC ajuda a compreender e modificar padrões de pensamento e comportamento que mantém o sofrimento, promovendo equilíbrio emocional e prevenção de recaídas.
A depressão é um transtorno multifatorial que envolve alterações biológicas, cognitivas e comportamentais. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entende-se que os pensamentos negativos automáticos e as crenças disfuncionais desempenham papel central na manutenção dos sintomas depressivos (Beck, 1979).
A TCC auxilia o paciente a identificar e modificar esses padrões de pensamento, que geralmente envolvem visões negativas sobre si mesmo, o mundo e o futuro — conhecidas como a tríade cognitiva da depressão.
Por meio da reestruturação cognitiva, o indivíduo aprende a avaliar evidências, gerar interpretações mais equilibradas e desenvolver uma perspectiva mais realista e funcional.
Além disso, a TCC emprega estratégias comportamentais, como o planejamento de atividades prazerosas e significativas, para romper o ciclo de inatividade e isolamento frequentemente associados à depressão (Martell, Dimidjian & Herman-Dunn, 2010).
Essas intervenções favorecem o aumento gradual da energia, da motivação e do engajamento com a vida cotidiana.
Diversos estudos e metanálises (Cuijpers et al., 2013; Hofmann et al., 2012) confirmam que a TCC é uma das abordagens mais eficazes no tratamento da depressão, com resultados duradouros e comparáveis aos obtidos com medicação — especialmente em casos leves e moderados.
A TCC oferece um espaço estruturado para compreender as causas do sofrimento e desenvolver estratégias que fortalecem a autonomia emocional. As habilidades aprendidas ao longo do processo permanecem após o término da terapia, contribuindo para a manutenção do bem-estar e para a prevenção de recaídas.
Referências bibliográficas
- Beck, A. T. (1979). Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. New York: Penguin.
- Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The Efficacy of Cognitive Behavioral Therapy: A Review of Meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36(5), 427–440.
- Cuijpers, P., Berking, M., Andersson, G., Quigley, L., Kleiboer, A., & Dobson, K. S. (2013). A meta-analysis of cognitive-behavioural therapy for adult depression, alone and in comparison with other treatments. Canadian Journal of Psychiatry, 58(7), 376–385.
- Martell, C. R., Dimidjian, S., & Herman-Dunn, R. (2010). Behavioral Activation for Depression: A Clinician’s Guide. New York: Guilford Press.